Um dia o Cristiano Di Donato apareceu em casa com uma música para mim. Ele pegou o violão, fez uma cara marota, e começou a tocar em G-Am-Bm-Am-Bm: 'Relaxe e deixe se levar ao matadouro' hehehe, em seguida emendou: 'cara, só consegui ir até aí. Vê o que você consegue fazer' Foi logo após o fim dos Piroplásticos. Eu disse a ele queestava compondo novas músicas e combinamos de fazer algumas parcerias. Eu só consegui voltar à música meses depois - mudei de endereço nesse período. Eu retribui com um música que eu fiz faz tempo, mas nunca coloquei letra.
Relaxe e deixe se levar ao matadouro
Inevitável, inexplicável
Ó, seja amável quando a hora chegar
Enquanto isso, o tic tac vai comendo
e a vida vai vivendo prosseguindo sem parar
O universo expandindo até um dia
virar pingo de energia e assim tudo condensar
O palco, os atores, a palavra e o júri,
todos juntos querendo contracenar
Preenchendo o vazio e o silêncio,
inventando um sentido para o que ainda não há
Boa viagem! Leve pouca bagagem
De quase nada se precisa
quando desembarcar
Relaxe e deixe se levar ao matadouro
Relaxe e venha nos contar como é seu sonho
Viva o momento, o sofrimento é dispensável
Agora, é a hora de aproveitar
O Eu te engana facilmente, portanto esteja presente
No final de 2010, pedi para o meu irmão trazer de Londres uma placa de som USB. Junto com a placa, veio um programa de gravação e alguns instrumentos midi. Domingo passado, eu instalei o programa e os instrumentos midi no computador e comecei a brincar com os instrumentos virtuais: flautas, sintetizadores, baterias, pianos, etc. Tudo isso usando o teclado do computador! Toquei e ouvi vários instrumentos e no meio do caminho surgiram duas frases distintas. Depois eu percebi que podia ligá-las e pronto, fiz uma música!!! rs Dentre várias sonoridades, eu achei uma muito boa e engraçada ao mesmo tempo. Liguei o metrônomo do programa e comecei a gravar:
O bacana do instrumento midi, é você poder corrigir os erros de tempo, acrescentar e tirar notas usando uma caneta virtual. Eu estava me divertindo. Empolgado, decidi colocar uma bateria midi. Aleatoriamente, pelo menos era o que eu acreditava, lembrei da bateria de Chameleon, de Herbie Hancock em Head Hunters: http://www.youtube.com/watch?v=SQsSQRWMhOsEu toquei muitas vezes essa música com os Surreais e o Fernando Bueno (A.K.A. Kapeta/Bundinha) comentou comigo uma vez que o 'pulo do gato' na bateria dessa música era a caixa no contra tempo. Deu trabalho, aprendi alguns truques e consegui fazer uma batera parecida com a de Chameleon:
A bateria faz toda a diferença, né? Depois de alguns dias eu descobri de onde realmente veio a idéia de usar a bateria de Chameleon como referência. Enquanto eu instalava o programa, eu ouvi dois discos do Beck Hansen, Modern Guilt e The Information. Muito bons por sinal, experimentais, ótima referência! Eu escutei novamente esses discos durante a semana e na música Cellphone's Dead (The Informant), a bateria é idêntica à de Chameleon: http://www.youtube.com/watch?v=DGCwUoKWcxs- o clipe é bizarro heheheh!!!!!!!!!!!
Foi uma pista valiosa para entender como o inconsciente atua no processo criativo! Ouvindo novamente os discos do Beck, eu encontrei outra música, Nausea (the Informant) http://www.youtube.com/watch?v=PTWJ1_nF_kU, e nela, ele usa um efeito percussivo idêntico ao da música do Tom Zé, Dor e Dor (Se o caso é chorar) http://www.youtube.com/watch?v=U74Qo9PyKQ8 - mais tarde Tom Zé usou a mesma base para escrever Jimi Renda-se, muito bom!
Voltando ao domingo a tarde, peguei o baixo, pluguei na placa, e fiquei tocando com a bateria e o teclado até sair uma linha:
Depois pluguei a guitarra direto na placa e gravei duas bases:
Por fim, o 'TOC de midis' hehehe, voltei aos instrumentos midi e adicionei uma flauta:
Parei nesse ponto... Antes, rs, tentei acrescentar umas viradas de bateria - não funcionou. Talvez falte uma letra... Alguém aí se habilita a soltar a 'véia' poética e fazer uma parceria?
Eu comecei a compor Sol depois de uma jam em casa, a Silvia na batera e eu na guitarra e vocais. Passamos uma tarde de sábado, em outubro de 2010, tocando várias músicas que nós gostamos e nos intervalos tomávamos goles vigorosos de pinga Claudionor :) (Pequena digressão. Descobri outro dia que Claudionor é um hit entre os jornalistas de Brasília).
Ensaiamos várias vezes Rain, dos Beatles, lado B de Paperback Writer no single que antecedeu o maravilhoso disco Revolver (http://en.wikipedia.org/wiki/Rain_(The_Beatles_song). Essa música tem um breque quase no fim, com o Paul e o Ringo dialogando e é muito legal!
Fizemos um monte de vezes essa parte do breque até acertarmos e numa das vezes desencanamos de tocar a música certinha e entramos numa jam. Uma parte dessa jam e a idéia de contrapor Rain com Sol, foram combustíveis para fazer a música.