segunda-feira, 21 de março de 2011

Diálogo com a dona Paixão


Louca paixão
Pura obsessão
Não consigo tirar você da minha cabeça
Fantasmagórica
Quer me assombrar
Eu sempre tenho medo e demoro a perceber
Os seus truques e a grande confusão

A grande confusão no meu coração
Esse sofrimento é em vão
Você é irresistível

"Enfim tu acordou
Caiu o meu disfarce
Estou toda nua e você dentro de mim
Sinta o que você sempre sonhou
Feche seus olhos, vá onde eu quiser
Brinque comigo o jogo de mal-me-quer

O jogo de mal-me-quer
Eu jogo os dados para o céu, veja o que vai dar
Se eu te sugo ou te expulso, é por sorte, pra mim tanto faz

Pra mim tanto faz
 Eu sigo meu rumo no mundo
Vida e morte ao meu redor
 Não sou mera explosão química
Levo muitos a amar
Se você se embanana comigo, não é meu problema
O fogo é pra queimar
Até a hora de eu ir embora
Sem olhar pra trás."

segunda-feira, 14 de março de 2011

Silent Girl


Você estava ausente
em outro lugar
muito distante 
eu via em seu olhar

Opaco, surdo e mudo
prestes a atravessar
meu corpo e o muro
até embaralhar

Ela não está onde está
só sabe ir
em devaneio
subindo na nuvem de fantasia, avoar

Flying girl, going insane
fastfowarded thoughts, rewinded days
.............................................................
...........................................................

Falando com as paredes
ou com um balão quente de ar
seus sins sorridentes
são para tapear

O resto não existe
o tempo passa a divagar
a imensidão é triste
azul da cor do mar

Um enorme vazio no peito
angústia e solidão
mente acelerada
não te parece um pouco como eu ou você?

Silent girl, cloudy mind
will you never stop the rain?
I've been waiting for you to come
but now we are riders on the storm

Bleeding girl, pleading eyes
won't you tell me your dream?
it's about the end of time
when we will be as one forever?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Relaxe


             Um dia o Cristiano Di Donato apareceu em casa com uma música para mim. Ele pegou o violão, fez uma cara marota, e começou a tocar em G-Am-Bm-Am-Bm: 'Relaxe e deixe se levar ao matadouro' hehehe, em seguida emendou: 'cara, só consegui ir até aí. Vê o que você consegue fazer'
             Foi logo após o fim dos Piroplásticos. Eu disse a ele que estava compondo novas músicas e combinamos de fazer algumas parcerias. Eu só consegui voltar à música meses depois - mudei de endereço nesse período. Eu retribui com um música que eu fiz faz tempo, mas nunca coloquei letra. 


Relaxe e deixe se levar ao matadouro
Inevitável, inexplicável
Ó, seja amável quando a hora chegar

Enquanto isso, o tic tac vai comendo 
e a vida vai vivendo prosseguindo sem parar
O universo expandindo até um dia
virar pingo de energia e assim tudo condensar
O palco, os atores, a palavra e o júri,
todos juntos querendo contracenar
Preenchendo o vazio e o silêncio,
inventando um sentido para o que ainda não há

Boa viagem! Leve pouca bagagem
De quase nada se precisa
quando desembarcar

Relaxe e deixe se levar ao matadouro
Relaxe e venha nos contar como é seu sonho

Viva o momento, o sofrimento é dispensável
Agora, é a hora de aproveitar
O Eu te engana facilmente, portanto esteja presente
não se deixe ilusionar
O Super Eu é como um Deus onisciente e severo
em permanente: 'faz que eu vou te castigar'
Por favor, aprenda a ler nas entrelinhas,
Senão a sua vida você vai atrapalhar

Sensualmente, sensorialmente
As palavras mentem
e vão te enrolar!

Relaxe e vá
onde quiser
se achar certo
e fizer bem
deixe se levar

Concepção, comida sexo e televisão
Maturação, beleza, amor e paz no coração
Interrupção  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A antesala da lisergia


Eu encontrei na antesala da lisergia
O limite do meu corpo desintegrou debaixo para cima
Como um zíper, abrindo para o vazio
Logo não havia nada além da escuridão
Havia chegado o fim... Eu acordei!

Um dia eu acordei
 E descobri que todos nós estamos fadados à felicidade
Eu sorri
Não havia mais peso
Curti o sossego, fora todo tormento que possa existir
Foi aí então que girou a lampadinha

Multi-mulher - um assalto esverdeado!
'Por que riem de mim?'
Perseguido por conspirações, sem entender...
Acendo a luz, olho o cenário, não tem o que esconder
A realidade é uma farsa
Invento o que der para ingressar na humanidade,
Mesmo perdendo

E nem lamento o que perdi
É oportunidade para o que for novo vir
É desapego? Certamente sim
É contentamento a qualquer momento com o que surgir

Apesar de toda a maldade por aí
Manipulam, roubam, matam, sugam com o canudo
Lucram devastando com o futuro da tua gente
Dividem e isolam o homem preso na caverna
E assim está impedida a força bruta da união entre as pessoas  

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Indivisível e dual


Indivisível e dual
É invenção individual
Binário, é singular e plural
Difere opostamente igual

Sombras na parede dizem quem é você
E o silêncio diz: 'você não é'
As estrelas giram velozmente sem parar
Somos nós quem tomamos consciência

Debaixo do seu nariz
Escancarada, você nem vê
Quem é? Parece não aparecer
Onipresente a mim ou a outrosser

As palavras lavram igual mosquitos em pleno verão
São larvas parasitas, borboletam...
As palavras falam mais do que queremos dizer
A verdade doa a quem doer

Versa um, Universo
Em todo corpo
Procurando saída

Versa um, Universo
Em todo canto
Estridente e mudo

Versa um, Universo
Se aqui estamos
Quase por acidente

Versa um, Universo
Fazendo escolhas
Provavelmente...

A vida não é um mar de rosas
É oceano de possibilidades
Subverte a má-temática do senso comum
Faz do instante pura ficção
E da saudade o inverso do horizonte



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Camadas sonoras - 5 passos

No final de 2010, pedi para o meu irmão trazer de Londres uma placa de som USB. Junto com a placa, veio um programa de gravação e alguns instrumentos midi. Domingo passado, eu instalei o programa e os instrumentos midi no computador e comecei a brincar com os instrumentos virtuais: flautas, sintetizadores, baterias, pianos, etc. Tudo isso usando o teclado do computador! Toquei e ouvi vários instrumentos e no meio do caminho surgiram duas frases distintas. Depois eu percebi que podia ligá-las e pronto, fiz uma música!!! rs Dentre várias sonoridades, eu achei uma muito boa e engraçada ao mesmo tempo. Liguei o metrônomo do programa e comecei a gravar:
 
O bacana do instrumento midi, é você poder corrigir os erros de tempo, acrescentar e tirar notas usando uma caneta virtual. Eu estava me divertindo. Empolgado, decidi colocar uma bateria midi. Aleatoriamente, pelo menos era o que eu acreditava, lembrei da bateria de Chameleon, de Herbie Hancock em Head Hunters: http://www.youtube.com/watch?v=SQsSQRWMhOs Eu toquei muitas vezes essa música com os Surreais e o Fernando Bueno (A.K.A. Kapeta/Bundinha) comentou comigo uma vez que o 'pulo do gato' na bateria dessa música era a caixa no contra tempo. Deu trabalho, aprendi alguns truques e consegui fazer uma batera parecida com a de Chameleon:


A bateria faz toda a diferença, né? Depois de alguns dias eu descobri de onde realmente veio a idéia de usar a bateria de Chameleon como referência. Enquanto eu instalava o programa, eu ouvi dois discos do Beck Hansen, Modern Guilt e The Information. Muito bons por sinal, experimentais, ótima referência! Eu escutei novamente esses discos durante a semana e na música Cellphone's Dead (The Informant), a bateria é idêntica à de Chameleon: http://www.youtube.com/watch?v=DGCwUoKWcxs - o clipe é bizarro heheheh!!!!!!!!!!!
Foi uma pista valiosa para entender como o inconsciente atua no processo criativo! Ouvindo novamente os discos do Beck, eu encontrei outra música, Nausea (the Informant) http://www.youtube.com/watch?v=PTWJ1_nF_kU,  e nela, ele usa um efeito percussivo idêntico ao da música do Tom Zé, Dor e Dor (Se o caso é chorar) http://www.youtube.com/watch?v=U74Qo9PyKQ8 - mais tarde Tom Zé usou a mesma base para escrever Jimi Renda-se, muito bom!
Voltando ao domingo a tarde, peguei o baixo, pluguei na placa, e fiquei tocando com a bateria e o teclado até sair uma linha:

   

Depois pluguei a guitarra direto na placa e gravei duas bases:

 

Por fim, o 'TOC de midis' hehehe, voltei aos instrumentos midi e adicionei uma flauta:


Parei nesse ponto... Antes, rs, tentei acrescentar umas viradas de bateria - não funcionou. Talvez falte uma letra... Alguém aí se habilita a soltar a 'véia' poética e fazer uma parceria?




sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sol


Eu comecei a compor Sol depois de uma jam em casa, a Silvia na batera e eu na guitarra e vocais. Passamos uma tarde de sábado, em outubro de 2010, tocando várias músicas que nós gostamos e nos intervalos tomávamos goles vigorosos de pinga Claudionor :) (Pequena digressão. Descobri outro dia que Claudionor é um hit entre os jornalistas de Brasília).
Ensaiamos várias vezes Rain, dos Beatles, lado B de Paperback Writer no single que antecedeu o maravilhoso disco Revolver (http://en.wikipedia.org/wiki/Rain_(The_Beatles_song). Essa música tem um breque quase no fim, com o Paul e o Ringo dialogando e é muito legal!
Fizemos um monte de vezes essa parte do breque até acertarmos e numa das vezes desencanamos de tocar a música certinha e entramos numa jam. Uma parte dessa jam e a idéia de contrapor Rain com Sol, foram combustíveis para fazer a música.