terça-feira, 1 de novembro de 2011

Não me importa


Não me importa, é música de João Grembecki. Lembro que estávamos ensaiando na casa dele, na época na Vila Mariana, e ele tinha a letra de Não me importa pronta. 
O João falou como queria a música - um samba com uma mudança para o funk no meio.  O Cristiano Di Donato, com o violão nas mãos, começou a sequência G7+, G#°, Am, etc para o samba e depois engatou os acordes da sequência funk e, voa lá, a música estava pronta :)
Acrescentei o baixo quando plugamos os instrumentos e a música ficou bem parecida com essa versão postada agora. 
Não me importa, tem uma versão de 2003, do álbum que eu gosto de chamar Das horas que passamos, por enquanto inédito.Na Centralização, esta é a décima terceira música.
Nessa faixa, contamos com a participação nos teclados de Tiago Mineiro.


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Indivisível e Dual - bateria



Volto a postar Indivisível e Dual. A diferença em relação ao post anterior dessa música, é a bateria que montei com os Samples.
Recebi a visita do Fábio Ishihata, A.K.A. Dinka, aqui no Rio e convidei ele nessa ocasião para gravar o baixo de Indivisível e Dual. Disse que demoraria um pouco, por que a bateria da música não estava pronta ainda. Agora está!
A maioria das músicas que postei anteriormente está com a bateria pronta. 
Visitante do blog, preciso da opinião de vocês quanto a sonoridade da bateria. 

Dinka, para baixar a música em mp3, sugiro o www.keepvid.com. Basta digitar a url do vídeo no youtube e fazer o download. Obrigado!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Solução rápida

Ao chegar na recepção de um prédio de consultórios médicos, testemunhei o seguinte diálogo entre a recepcionista e a filha de um paciente que passou em consulta psiquiátrica:

Recepcionista: ... então, você liga para esse número (no dedo dela está colado uma etiqueta escrita Solução Rápida e o número do telefone da empresa. Entrega a etiqueta à mulher que cola o adesivo na receita) e fala qual medicamento você quer comprar. O motoboy vai até o seu endereço, retira a receita, compra o medicamento - a farmácia deles tem um preço mais em conta - e leva o medicamento no seu endereço...

A mulher gosta da comodidade e do conforto oferecido pelo serviço. A recepcionista completa:

- ... fala que o teu pai é paciente da Dra. X. que eles te dão de graça mais duas caixas do medicamento.

A mulher acredita que a solução é mais rápida do que de fato é e, genuinamente empolgada, pergunta:

- Não dá pra levar essas duas caixas agora?

A recepcionista dá uma gargalhada sonora e diz que não dá. Explica novamente à mulher que para conseguir as duas caixas do medicamento, ela precisa ligar para o número que está na etiqueta. Noto nas mãos da recepcionista duas caixas de um mesmo remédio, unidas por uma etiqueta similar a entregue para a mulher. Estico o pescoço - é um balcão típico de recepção de consultório médico - e consigo ver o nome do remédio: um dos nomes comerciais do Citalopram, um antidepressivo.

Enquanto a mulher elogia o serviço divulgado pela recepcionista, percebo no colo da funcionária uma sacola plástica dessas de supermercado cheia de caixas de medicamentos. Seriam mais caixas de ci-t-alopram, me pergunto.

Mais cedo no mesmo dia em meu consultório uma paciente contava sobre a primeira consulta dela com uma nova psiquiatra. Ela passou em consulta com a psiquiatra para conseguir uma carta da médica a encaminhando para a psicoterapia - uma exigência do plano de saúde da qual ela é beneficiária. 

Durante a anamnese a médica descobre que a paciente é usuária de um antidepressivo receitado por um médico de outra especialidade - um gastro. A médica adverte minha paciente de que o tratamento está incorreto e receita outro tipo de antidepressivo, um dos nomes comerciais da Sertralina.

A médica saca da gaveta uma caixa de amostra grátis do medicamento recém receitado e oferta para a paciente. Ela aceita, mas em seu íntimo tem dúvidas quanto a mudar de medicamento ou não... Devido a uma série de motivos que não vem ao caso, a paciente não gostou da consulta com a psiquiatra. Dentre as reclamações, destaco uma fala dela: 

- ... no meio da consulta a recepcionista entra no consultório carregando uma caixa cheia de amostras grátis de medicamentos e pergunta para a psiquiatra onde deveria guardar a caixa. Ela respondeu jocosamente que tomasse cuidado, porque iria vender os remédios. Ambas riram, a médica se virou para mim e disse num tom sério: tem gente que faz isso, sabia? Vende amostra grátis de remédio...


Muitos são os que precisam dos medicamentos psiquiátricos para suportarem as dores da existência. Para alguns, a possibilidade de faltar o remédio por uns dias é suficiente para desencadear uma crise de angústia terrível e muitos outros sintomas.


Conhecer uma solução que permita acesso gratuito a uma certa quantidade de um medicamento -quando você precisa de um - é algo para se empolgar. Mas, o acesso gratuito a remédios psiquiátricos seria realmente caso para empolgação?


É atraente ter menos gastos, sem dúvida. Ainda mais ao se tratar de uma solução rápida, como propagandeou a recepcionista. No entanto, sabemos que não existe almoço grátis... 


A solução é rápida para quem? Existe solução rápida para as dores do viver? Caso exista, será a pílula uma solução rápida? Você economiza dinheiro ao tratar questões subjetivas com medicamentos?



O tratamento psiquiátrico da depressão, por exemplo, é de médio a longo prazo. As estimativas mais otimistas para a remissão do quadro são de seis meses a 1 ano.

Uma busca rápida no Google é suficiente para dar uma noção superficial do valor do Cloridrato de Fluoxetina - nome de outro antidepressivo. Os preços variam de 13 a 58 reais por caixa, dependendo da dosagem e da quantidade de comprimidos.

Há casos que precisam de uma intervenção rápida e os remédios psiquiátricos podem ser muito eficientes, mas não resolvem totalmente o problema. A atuação dos remédios psiquiátricos é nos sintomas e não nas causas. 


O que provoca mal-estar e muitas vezes adoecimento passa por uma via que vai além da percorrida na bioquímica neuronal. Em outras palavras, na maioria das vezes não é o que ocorre no cérebro que provoca adoecimento. Ao contrário, questões subjetivas provocam efeitos (não apenas, mas também) que afetam o corpo. 


Muito da descoberta freudiana remete a isso: o motivo do adoecimento de alguém, não é necessariamente por conta de uma disfunção orgânica. Muitas vezes é porque algo não anda bem que uma pessoa pode produzir um sintoma que afeta o organismo, incluso um desequilíbrio bioquímico no cérebro.


Na Segunda Guerra Mundial, os nazistas criaram uma novilíngua com o idioma alemão e deturparam a língua deles de muitas formas para suavizar o que faziam... Exemplo disso foi o uso do termo solução final para escamotear o extermínio em massa de judeus. 


Solução rápida parece mais um termo de novilíngua contemporânea. Novilíngua "é um idioma fictício criado pelo governo hiperautoritário na obra literária 1984, de George Orwell. A novilíngua era desenvolvida não pela criação de novas palavras, mas pela "condensação" e "remoção" delas ou de alguns de seus sentidos, com o objetivo de restringir o escopo do pensamento. Uma vez que as pessoas não pudessem se referir a algo, isso passaria a não existir. Assim, por meio do controle sobre a linguagem, o governo seria capaz de controlar o pensamento das pessoas, impedindo que ideias indesejáveis viessem a surgir. (...) A ideia aqui consiste em restringir as possibilidades de raciocínio." (wikipedia) 


O que está implícito no termo solução rápida é a crença de que tomando medicamentos as pessoas vão curar a causa do adoecimento - e rápido, o que de fato não acontece. É uma promessa de cura que tem efeito similar ao de enxugar gelo... trata dos sintomas e não do que os provoca. 


Além disso, a promiscuidade entre médicos, comerciantes de fármacos e indústrias farmacêuticas é travestida em vantagem para o paciente/consumidor. Uma vantagem, no mínimo, duvidosa. 


Um amigo meu, dentista, sugeriu que eu procurasse o site dessa empresa antes de publicar esse post. Ele disse não ser possível do ponto de vista legal uma pessoa conseguir três caixas do medicamento com a receita de uma caixa.


O site da empresa não faz nenhuma menção ao tipo de serviço que escutei da recepcionista. Eles oferecem sim a entrega em domicílio dos medicamentos, mas não existe no site informação sobre vantagens do tipo 'compre um e leve três'.


Em A epidemia de doença mental na edição 59 da revista Piauí http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-59/questoes-medico-farmacologicas/a-epidemia-de-doenca-mental, a jornalista Marcia Angell analisa três livros escritos por autores de diferentes formações: um psicólogo, um jornalista e um psiquiatra.


Os três autores estão de acordo em relação a duas questões:



"Em primeiro lugar, concordam que é preocupante a extensão com a qual as empresas que vendem drogas psicoativas – por meio de várias formas de marketing, tanto legal como ilegal, e usando o que muita gente chamaria de suborno – passaram a determinar o que constitui uma doença mental e como os distúrbios devem ser diagnosticados e tratados.

Em segundo lugar, nenhum dos três aceita a teoria de que a doença mental é provocada por um desequilíbrio químico no cérebro."  (revista Piauí, agosto de 2011, edição 59)

Qual a solução ci - t - alopram?




     























No centro do U


Caso ficasse alguma dúvida quanto a seriedade de nossas intenções em Oxalá, No centro do U escancara com muito bom humor os propósitos da igreja da Centralização. 

Nós criamos muitos nomes para nossos personagens ao longo dos anos. Nesta música surgem o profeta Artioli e o Mestre Grão, muitos outros fizeram parte de nosso panteão... 

Música e letra são de K, o fiel (Cristiano Di Donato) em parceria na letra com o Mestre Grão (João Grembecki). 

Lembro de conversarmos sobre uma cena para quando acabasse essa música. Desceríamos do palco com máquinas de débito/crédito cênicas e pediríamos dinheiro, cheque, dólar, etc, para a platéia. Ríamos muito bolando cenas... 

Eu sempre gostei de chamar nossa igreja de Centralização Universal e me divirto ainda hoje  escutando o Cris cantar no fim da música: qual? qual? 


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Oxalá


Oxalá é uma música de 2003, original do álbum dos Piroplásticos que eu gosto de chamar Das horas que passamos.  Na Centralização essa música representa o turning point, momento em que os Pirambabas resolvem ganhar dinheiro fundando a Igreja da Centralização. É o nosso momento Anakin indo para o lado negro da força e se tornando Darth Vader!
Pelo que lembro, a idéia para a letra surgiu depois de eu assistir um programa de televisão. Era um programa da globo apresentado pelo Cazé Peçanha e tinha essa matéria que ensinava como abrir uma igreja. Falava das facilidades: isenção de impostos, R$ 50,00 no cartório para abrir sua própria igreja e pimba! Escrevi Oxalá.
Foi uma forma de criticar as igrejas que abusam da fé de seu frequentadores. O oxalá que dá o nome à música e aparece no refrão é um jogo com o nome do orixá e com tomará Deus, pouco usado por nós atualmente:
Tomará Deus (oxalá) eu consiga abrir a igreja e arrancar o dinheiro dos fiéis hehehehe
O mestre Ananias que depois se tornou o nosso mestre ascencionista, rs! surgiu na mesma época em que Silvia e eu inventamos o termo graticidade.
Nos idos de 2003, estávamos no Bourbon street com uma turma enorme, talvez para ver um show do lendário guitarrista da MPB Lanny Gordin retornando aos palcos depois de anos afastado.
Em algum momento da balada acho que a Marina Atallinha ou a Sil acharam uma comanda de consumo praticamente vazia... Depois de alguns titubeios éticos, mandamos para as cucuias a correção e decidimos utilizar a comanda para nosso próprio desfrute! Cigarros, bebidas, talvez até lanches, vejam só, rs! Inebriados da farra consumista recém-conquistada, começamos a falar uma bobagem atrás da outra e tcharam: às gargalhadas criamos o neologismo graticidade.
Com o termo tentávamos justificar nosso pequeno delito, afirmando que se algo se apresenta gratuitamente você deve aproveitar. Cara de pau a nossa! Acho que no meio disso surgiu também o mestre Ananias. 
Algumas pessoas quando vão tomar pinga derrubam um pouquinho oferecendo pro santo. Nós quando recebíamos algo em graticidade hahahahah ofereciamos um pouco ao mestre Ananias, senão ele podia cobrar de volta o que nos deu de graça e aí você já viu.......
Tudo a ver com o tema da música. Foi nessa música também que o termo Centralização surgiu pela primeira vez. No final da música o João Grembecki canta: "venham para a igreja da Centralização, onde o bem e o mal se encontram na mais pura união".
Foi só em 2007 que resolvemos levar mais a sério e o Joba, o Cristiano di Donato e eu começamos a estudar assuntos relacionados ao que passamos a chamar de centralização. Muitas músicas surgiram em torno desse tema a partir de então.
Musicalmente 2003 foi uma época em que eu estava obcecado pelas gravações de Jorge Ben na década de 60 e 70 e os acordes foram totalmente inspirados nessa fonte. Eu não tinha a letra ainda e levei a sequência para os Piros lá na Vila Mariana. O pré refrão surgiu numa jam sem querer. Nós estávamos na mesma sequência fazia algum tempo e o Cris mudou indo de mi para ré no baixo e eu fui atrás no si menor e no fá sustenido com sétima e quinta aumentada (agora gastei hein?) Cada um tocando uma coisa... achei que ficou do caralho, fiz a letra depois disso. 

domingo, 21 de agosto de 2011

Agrade cimento

Semana passada, Rasboços e Escunhos ultrapassou as 1000 visitações. Sou imensamente grato pelo interesse de vocês, amigos e visitantes do blog.
Nas últimas semanas produzi bastante. No Rio, avancei na gravação em 5 ou 6 músicas e tenho feito descobertas maravilhosas com os erros durante o processo criativo. Essas descobertas abrem novas possibilidades e criam em mim o desejo de fazer algo mais ousado do que eu imaginava no começo.
A morte recente de Lucian Freud (pintor e neto do pai da psicanálise) me aproximaram de sua obra e produziram em mim uma certa nostalgia da época em que eu desenhava e pintava com frequência. 
Tenho agora a concepção de que no computador faço algo parecido com pintar. O suporte é o computador e seus softwares e eu tento coisas, faço rascunhos, apago tudo e começo de novo, paro num ponto sem solução e deixo para depois acreditando que num próximo encontro com a música encontrarei uma solução mais satisfatória... A grande diferença é que não fico sujo de tinta, rs!
Depois que comecei a postar minhas músicas no Rasboços e Escunhos me dei conta da quantidade de material que acumulei ao longo dos anos. Os Piroplásticos eu já postei bastante coisa e tem muito mais, tenho muito material dos Surreais e recentemente achei, por intermédio do Cris, uma fita k7 do Abaixo Assinado Anônimo, hehehehe que é nitroglicerina pura, juro!
Como vocês podem perceber, não falta material para rechear o blog!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Grande Gambeá


O Grande Gambeá foi uma das primeiras músicas de Centralização a ficar pronta e se eu não estou enganado foi a primeira ter clipe. Eu escrevi a letra e trouxe a música pros Piros. O instrumental dessa música surgiu muito antes da letra em alguma jam interminável :) 
A melodia vem de uma música do Cris com uma pegada indígena em que ele cantava algo como: "jamba gambea". Cris, help me, qual é mesmo o nome dessa sua música? Inicialmente que queria fazer uma música usando o som de jamba gambea para as palavras vamos jamear, saiu O Grande Gambeá.
O Grande Gambeá é uma invenção nossa, descendente direto do Chipanzé Atômico que está no nosso disco anterior, Das horas que passamos. Com a música Oxalá e toda construção em relação à Centralização, bolamos um panteão para o que seria a nossa religião. Em O grande Gambeá utilizei o mito da orixá guerreira Obá, que entra na conversa da Oxum para conquistar Xangô. O mito diz que Oxum convence Obá de que o segredo para uma tal refeição que conquistasse Xangô, seria Obá cortar as orelhas e colocar como tempero. Obá segue o conselho da Oxum e se corta. Oxum queria ela fora do caminho para ter Xangô somente para ela. 
Acabei de descobrir que no wikipedia desmentem essa versão...